21.5.09

Jornalismo, pirataria, financiamento e credibilidade


No editorial da revista Época desta semana, o editor Helio Gurovitz sai “em defesa do jornalismo”. Para ele, a tolerância com a cópia, a depredação do trabalho alheio e a pirataria fragmentou a audiência e tem impedido as empresas que vivem da produção de conteúdo de sustentar seus negócios tanto na rede quanto fora dela. “Praticamente todos os blogs e sites de vídeo ainda dependem de notícias geradas pela mídia tradicional- que não é remunerada por seu uso”. E deveria?

Que pirataria é essa? No meu entendimento, pirataria consiste quando um individuo se favorece financeiramente da produção artística, ou intelectual, alheia. A notícia não possui dono. Somente a opinião. Por isso eu acho complicado cobrar pelas notícias, ou impedir a propagação dela.

“Não só nos Estados Unidos os jornais lutam para sobreviver diante da concorrência on-line. A internet transformou completamente o modo como lidamos com a notícia. Sobretudo, ela abalou as bases de um negócio sustentado pela venda de produtos e anúncios”, diz Helio.

O jornalismo alerta que a independência editorial só pode ser garantida se as empresas tiverem independência dos partidos políticos, dos governos e dos interesses envolvidos nas notícias. A independência editorial só pode ser garantida pela independência financeira das empresas jornalísticas.

“Todos os cidadãos precisam entender que o futuro de nossa democracia depende disso. E ele defende que o jornalismo na nova sociedade digital não será resolvida por atitudes de benemerência ou filantropia. Ela só terá uma solução quando a sociedade entender que os conteúdos gerados e publicados no meio on-line devem estar sujeitos às mesmas normas e leis que regem a imprensa tradicional”.

A minha interpretação é que ele defende o atual modelo de negocia dos jornais impressos, para os on-lines. Anúncio e venda de jornais.

Robert Picard, professor de economia de mídia, disse em artigo que "o valor na economia é criado quando os produtos e serviços finais têm mais valor – determinado pelos consumidores – do que a soma do valor de seus componentes. Esse valor adicional [no jornalismo] não existe hoje porque há uma quantidade muito maior de fontes de notícias e informações disponíveis".

Para o professor, "o jornalismo deve inovar e criar novos meios de colher, processar e distribuir informações de forma que ofereça conteúdo e serviços que seus leitores, ouvintes e espectadores não poderiam receber de outra forma. De tal maneira que os usuários desejem pagar um preço razoável por isso".

Algo que temos que pensar. Antes que a velocidade das mudanças passe por cima da gente.

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