8.4.09

O que será do jornalismo?



Toda vez que leio ou assisto matérias sobre o futuro do jornalismo, sempre sinto um frio na barriga. Primeiramente, porque estudei quatro anos na faculdade de comunicação com a esperança de seguir a profissão. Segundo, porque espero ter um emprego para sobreviver (ganhar dinheiro) por ele.

O caderno de informática, Link, do jornal Estado de São Paulo, publicou nesta semana, uma entrevista com o filósofo e jornalista âncora da CNN, Jonathan Mann, sobre a visão para o futuro dos jornais e do jornalismo.

Para Jonathan, nós estamos passando por umas mudanças dramáticas causadas pela internet, por meio de redes como Twitter e o Facebook. Ele acrescenta que o monopólio das informações está encerrado e qualquer um pode ser jornalista. Particularmente eu discordo da opinião do jornalista.

Reconheço que todo mundo tem condições de produzir e distribuir conteúdos pela rede. Entretanto, não são todas as pessoas que possuem condições de produzir e difundir os fatos em forma de notícias. Como o jornalista citou, sites como Twitter ou Facebook possibilita as pessoas divulgarem as informações, que no meu ver não passam de “fofocas” e não notícias em si.

Outro fato que o jornalista comentou me chamou atenção. Jonathan ratifica que o jornalismo é a forma de produzir e distribuir notícias. Logo, o jornalismo não irá morrer, pelo menos nos próximos anos. A questão está em como as notícias serão distribuídas. Atualmente estávamos enfrentando a crise de distribuição. “A crise é dos jornais, não da notícia”, disse.

Outro ponto que achei muito interessante e confirma o meu pensamento foi ele considerar que as notícias pelas quais as pessoas mais se interessam são “o preço do estacionamento, crimes na vizinhança, clima, preço da comida no supermercado e os jogos do time local”. Elas se importam com o que acontece ao redor. Assim, o jornalismo local (comunitário) se fortifica. Ao contrário que estão fazendo os veículos grandes veículos do Brasil. “É uma audiência global dentro dos interesses específicos”, resume. Esse é o caminho. A segmentação da informação.

No mesmo caderno de informática diz que o Bill Keller, editor-chefe do New York Time, o maior e mais influente jornal do mundo, se reúne periodicamente com Eric Schmidt, presidente do Google, para descobrir novas formas de comunicar. Segundo o colunista do Estadão, Pedro Dória, o editor diz que o jornal está enfrentando de peito aberto a crise, porque a regra no jornal é experimentar.

“Velhos jornalistas acostumados ao papel são atraídos pelo site e a garotada digital sente-se fascinada pelo produto vendido em bancas. Quando reunidos, a criatividade flui”, resumo Keller o espírito inovador do periódico.

O editor abre ainda mais as minhas idéias ao esclarecer que ao abrir todo o conteúdo e aumentar a audiência o Times daria mais retorno em venda de propaganda do que o dinheiro angariado com assinaturas. Bill ratifica que na internet, um jornal com a história do Times e o seu banco de dados valem mais do que as notícias do dia.

Nenhum comentário: