22.4.09

Aniversário de Brasília com olhar nas pessoas

Muito se fala sobre o bom e o mau jornalismo. Na minha opinião, a avaliação é subjetiva. Isso porque esbarramos no gosto pessoal. Um ótimo exemplo, para mim, de bom jornalismo é a matéria do jornalista Marcelo Abreu, Correio Braziliense, publicada hoje no periódico, sobre o aniversário de Brasília. Aproveite. Segue trecho da matéria.

Lugar que se humaniza a cada dia

Gente que nasceu aqui ou adotou a terra de JK deixou suas casas ontem para festejar. Como uma família inteira que mora há décadas no Distrito Federal e nunca havia chegado ao centro do poder.

Terça-feira virou domingo de festa na Esplanada dos Ministérios. E a capital se enfeitou e ficou ensolarada para receber uma gente ilustre, que não veste terno e gravata, passa longe dos holofotes, da bandalheira, da corrupção sem medida, dos escândalos diários que fazem essa terra tremer. Brasília se preparou para receber uma gente saborosamente anônima: seus visitantes e seus moradores — os últimos, uma gente que nasceu aqui, pariu aqui, fez família crescer, formou geração, trabalhou e transformou essa terra em lugar de verdade. Os primeiros, uma gente que se encantou pela terra de JK. Depois dessa gente, sua diversidade, suas histórias e seus sonhos, Brasília ganhou alma.


E essa gente toda foi convidada para uma grande festa, dessas que arrastam multidão. Saiu de pertinho e, principalmente, de longe, dos mais distantes lugares, e se embrenhou nas avenidas largas do Eixo Monumental. Veio de ônibus, metrô, carro, bicicleta, a pé. Não importa como vieram. O importante é que chegaram. E se esbaldaram. Famílias inteiras. Casais de mãos dadas. Menina, menino, mocinhas com roupa de festa e chapinha nos cabelos. Homem, mulher, travesti, rastafáris, tatuados, maluco-beleza, doido de pedra, doido varrido, doido de tudo. Idosos de cabelos brancos, caminhando a passos vagarosos à procura de um fiapo de sombra sob as árvores. Todas as tribos. Todos os sotaques.


A Esplanada se encheu de sonhos. Tem gente que foi ali para realizá-los. Outros, agradeceram o fato de Brasília lhes ter acolhido com generosidade de mãe que cuida. Há quem tenha ido apenas conhecer. Ver de perto os monumentos que enfeitam os cartões-postais da capital. E se extasiar com o que acabou de enxergar. A dona de casa Rita Maria Ribeiro, cearense do Crato, terra de “meu Padim Cíço”, é uma delas.


Passeio planejado

Não, a cearense não chegou ontem à capital. Não é turista deslumbrada com o traço reto do arquiteto. Ou o céu azul e majestoso da cidade. Rita mora há mais de duas décadas no DF. Mas, ontem, pela primeira vez, aos 48 anos, ela pisou na Esplanada dos Ministérios. E não veio sozinha. Trouxe para a festa oito dos nove filhos que pariu na terra de JK. “O mais velho, o Tomis, ( 23 anos) ficou em casa com o pai. Ele é como o Antônio (marido, pedreiro, 50 anos). Gosta mais de sossego”, ela explica a ausência do filho mais velho. E lá se veio Rita com a família inteira: Antonílcia, 22, Antônio, 20, Henrique, 18, Amanda, 15, Wanderson, 12, Yasmim, 10, Francisco, 8, e Isabele Guadalupe, 4. Um tanto de gente e uma só emoção.

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