13.2.09

O fim dos jornais é o fim do jornalismo?




Creio que não. Mas a qualidade dos conteúdos gerados iria cair muito. A discussão dos últimos dias foi o futuro dos jornais impressos. O assunto é reflexo da tal crise econômica mundial e a crescente proliferação dos jornais onlines. Até porque a maioria deles oferece seus conteúdos de graça.

Por que você pagaria para ler as notícias se existem sites que oferecem o “mesmo” serviço de gratuitamente. Esse assunto tem muito pano para manga. O problema é que as instituições precisam de dinheiro para manter as suas estruturas de cobertura.

Teoricamente o financiamento seria feito pelos anúncios publicitários. Entretanto, a internet ainda não existe um sistema publicitário com a mesma rentabilidade comparável ao jornalismo impresso.

Muitos jornalistas acreditam que cobrar pelo acesso as informações é o melhor caminho para enfrentar a crise dos jornais. Eu sou totalmente contra. Penso que as empresas poderiam testar outras formas de negócio, não somente cobrar pela notícia.

Outras pessoas pensam que o custo do papel é o problema do jornal impresso. Pelo contrário, o que eleva o custo é a estrutura de cobertura, profissionais qualificados, equipamentos de ponta e viagens e translado.

Atualmente os sites de notícias são quem paga menos para os jornalistas. Até pela baixa rentabilidade do negócio. A maioria das notícias que circula no Brasil é feita pelas agências de notícias, Estado, do jornal Estado de São Paulo, e da agência Brasil, da antiga RadioBrás do governo federal. Sem falar das assessorias de imprensa que inundam as caixas de e-mail dos jornalistas com notícias do interesse dos seus clientes.


Os sites somente republicam as informações. O famoso Ctrl + C e Ctrl + V. Um possível fim dos jornais impressos afetará em cheio na qualidade do jornalismo. Assim porque para manter um jornal de qualidade custa caro. Um jornalista com experiência não se submeterá a receber um salário de “estagiário” (piso do salário de um jornalista formado tabelado pelos sindicatos).

O que fazer então? Surgiram diversas teorias e dicas para os jornais saírem da crise. Entre elas a do micropagamento. Ela funciona assim: Se você quiser ler o jornal pelo computador você pagaria entorno de US$ 0,20, todos os dias. Já se você quiser imprimir a notícia você pagaria US$ 0,50.

Creio que não funcionaria. A solução para mim é disponibilizar o conteúdo gratuitamente e caberia aos leitores se deve ou não deve pagar pelo serviço prestado. Seria uma espécie de doação. Como são feitas nas organizações não governamentais. Mas neste caso, as empresas deveriam prestar conta para os “doadores” das despesas financeiras. Mais ou menos como o governo faz (Se não faz, pelo menos deveria fazer).

Imagem Gettyimages

Um comentário:

Lanier Rosa disse...

Apezar de não ter uma solução, acredito que a proposta lançada seria fracassada. Diante da crise, ninguém anda pagando o que não é obrigado. Mas acredito que não podemos ser radicais. Acho que é meio a crise que vivemos antes quando surgiu o computador: "O papel vai sumir", e o bom e velho papel continua sendo indispensável. Apezar de saber que já tem vários jornais se preparado para isso, acho que é radicalismo desnecessário.