10.10.08

Entrevista com o blogueiro Pablo Emílio

Pablo Emílio começou a blogar em 2001 e de lá para cá já teve sete blogs. Amante da literatura na internet, o blogueiro que escreve poesias, contos e pensamentos, falou comigo sobre o que lhe motiva em manter o blog, dificuldades e a visão geral dos blogs na Capital Federal.

Espero que gostem da entrevista, pois o blogueiro tem muito a acrescentar para a blogosfera de Brasília.




B - Quando você começou a blogar?

Comecei em 2001 com blogs pessoais. Acho que na época a maioria ainda via os blogs como diários e acabei entrando na onda por esse motivo, a diferença é que gostei demais para permanecer nesse mesmo. Tive 7 blogs ao total. A maioria eu não assinava com o meu próprio nome.

Tive um de maior sucesso no blogspot, mas que encerrei as atividades ano passado. Era apenas uma espécie de treino de escrita pois, queria viver uma personagem e percebia os livros em uma realidade meio distante pra mim, por fatores de experiência e oportunidades. Também tive um blog com o nome de Lixos e Pérolas que comecei a publicar apenas poesias e contos, todos feitos e assinados (explicitamente) por mim, já que eu tinha que botar a cara no mundo pra aprender e, até mesmo, ensinar algumas coisas pra quem ainda não tinha essa coragem de encarar a literatura na internet (nunca literatura de internet). Acho que foi o passo mais importante que dei por essa área, aprendi muito em pouco tempo, felizmente.

B - O que te faz manter um blog?

A vontade de me expressar sempre foi crucial pra mim, aprendi a descobrir um pouco mais de mim publicando meus trabalhos na internet. Mesmo os trabalhos mais largados, que eu não tinha muito interesse em registrar ou até mesmo editar para melhorar. Além disso, criar laços e contatos com outras pessoas é algo que me agrada bastante, especialmente se elas encontrarem um pouco de suas vidas em meus textos. Identificação, isso me faz continuar.

B - Qual é a dificuldade em manter um blog?

Pergunta curiosa. Tanto se fala em como os blogs e novas mídias estão cada vez mais acessíveis, mas poucos direcionam o olhar pra falar das dificuldades, ainda mais de um assunto tão (de)batido. Dias atrás andei pensando a respeito disso, o que me fazia blogar pouco nos últimos tempos. Além do tempo, que as vezes consome tudo e todos, uma das coisas que descobri ser um balde de água fria, é o fato de entrar no site pra blogar. Simples assim... abrir o site, fazer o login, clicar em um link e começar a digitar as vezes brocha, no melhor sentido. Pra isso encontrei uma alternativa válida que é um programa que posso, inclusive, criar posts offline. Confesso que isso me deixou mais animado ainda, já que posso a qualquer momento abrir, colar um texto ou criar ali, sem ter que lamentar pela minha preguiça safada.

B - É possível fazer avaliação de um Blog, já que ele é pessoal e o blogueiro escolhe o que acha relevante publicar ou não?

Possível é, justo eu já não sei. Todo mundo tem um lado crítico e isso faz com que a gente acabe avaliando um produto ou até mesmo uma pessoa. Eu acho que se o blogueiro tá publicando o que acha relevante e não quer/gosta ser avaliado, tá no lugar errado. Acho que essa dúvida de ser possível (ou até mesmo justo) fazer uma avaliação de um blog, pra muitos vai depender do resultado da avaliação. Tem gente que se incomoda com um erro evidenciado por um visitante de 15 anos, tem gente que sabe corrigir e passar por isso numa boa. Eu costumo avaliar blogs.

B - Neste sentido, eu gostaria que você fizesse um panorama dos blogs de Brasília.

Ahn... difícil, mas vamos lá. A questão é o seguinte, o pessoal de Brasília tem se conhecido a pouco tempo através de uma lista e os encontros gerados pelos participantes. O que eu tenho pra mim é que muita gente leva a sério, gosta mesmo de blogs, mas que ainda não conheciam pessoalmente os demais da própria cidade, mesmo lendo o conteúdo gerado por algum blogueiro da cidade.

B - Os blogueiros da cidade sabem utilizar o potencial da ferramenta?

Dos poucos que conheci nesses tempos, percebo que sim. O maior exemplo que posso dar sobre saber o que tem pela frente e saber utilizar é o Gulp . Sinto falta de grandes blogs (bem estruturados e com boas visões) de assuntos como literatura, cinema ou economia, mas isso eu já vou (ousar) em dizer que é problema nacional. Também gostaria muito de ver blogs daqui que tivessem a coragem(!) de produzir conteúdo em áudio e vídeo, por exemplo.

B - E no Brasil, como está a blogosfera?

Deve estar bem... =P

Blogosfera é muita coisa, né? Mas dentro do que posso acompanhar, sinto falta de mais amor em escrever, menos vontade de reproduzir o que já foi reproduzido, ter o ego saltitando e o fator monetização. Desculpa, não queria mesmo ter que botar essa palavra aqui. Não vai me custar nada, né?

B - Como você é antenado nas novas tendências, você poderia fazer uma estimativa ou previsão da blogosfera no Brasil daqui a alguns anos. Se for possível é claro.

Não sei se tanto da blogosfera, mas estimo produção de conteúdo em vídeo e áudio. Espero encontrar facilidades, tanto de ferramentas quanto de custos. Menos papinho de como fazer para o adsense estourar o seu porquinho de moedas. Também creio que vai aparecer conteúdo mobile com mais compromisso. Afinal, concentrar conteúdo importante em 140 caracteres não pode ser levado tão a sério, de verdade. Mensura não é qualidade.

2 comentários:

Pablo Emílio [pabloemilio.com.br] disse...

Valeu, Breno...
qualquer coisa estou por aí =)
Abraços

Michel Santana disse...

É isso aí Breno!

Muito bacana a entrevista. O que o Emilio falou é interessante. Os blogs realmente tem que ousar um pouco mais. Mas, em um outro prisma, essa ousadia de investir em área como literatura, cinema, economia entre outros ao mesmo tempo pode transformar esse espaço virtual em um quase site. Não sei se essa é a premissa do blog.

De qualquer forma, pelo que entendi, o real caminho do blog é a segmentação. No meu weblog, por exemplo, engendro há três meses na produção audiovisual. Não é tão fácil produzir diariamente, tanto é que além de minhas videorreportagens também posto outros vídeos e notícias interessantes.

O que vemos hoje são blogs que postam notícias de várias editorias sem um planejamento. Eu mesmo faço isso às vezes. O que vira praticamente uma salada.

Enfim, acredito que a solução é o usuário do Distrito Federal começar a pensar em como segmentar seu espaço virtual.

Dessa forma, não teremos uma salada de informações e sim um leque. Leque é sempre bom.