13.8.08

Delegação brasileira nas Olimpíadas

O jornal de Brasília publicou hoje um artigo que eu queria ter feito. Tudo o que o jornalista escreveu eu compartilho da mesma opinião. Sem enrolar eu deixo para você leitor fazer os devidos comentários. Segue o artigo



O importante é ganhar!

Toda Olimpíada é a mesma coisa. O Comitê Olímpico Brasileiro solta fogos com aquela velha estatística: "Estamos levando aos Jogos a maior delegação de todos os tempos". E daí? Tudo bem, muito lindo, bacana, divertido o colorido verde-amarelo na entrada das delegações. Aliás, cá pra nós: que uniformezinho feio aquele do Brasil na entrada das delegações... Bom, no dia seguinte ao baile com direito a "mãe, eu tô aqui" e outros dizeres mais, porém, a dura realidade é vista no espelho do quarto na Vila Olímpica. Daqueles 277 atletas, poucos têm chance de conquistar algo. Muito atleta foi dar um passeio, fazer intercâmbio, brincar, se divertir em nome do espírito olímpico. O velho discurso do "importante é participar". No início dos Jogos, talvez, sim! Hoje, não! O importante é ganhar, triturar o adversário, desabaratá-lo. Já viu norte-americano dizer "vim para participar? Jamais! Vi na televisão um gringo desses dizendo o seguinte no desembarque a Pequim: "Dizem que em Olimpíada, o importante é participar. Comigo, não! Viajei muitas horas para vir aqui e subir ao pódio.


Para mim, esse é o clima, o espírito. Não para alguns atletas brasileiros... Estamos apenas no quinto dia de competições estou cansado de ouvir o mesmo discurso ensaiado, decorado, repetido. Um nadador não passa na primeira eliminatória e dispara. "Tá bom, pelo menos quebrei o recorde sul-americano". Numa boa. Quem liga para recorde sul-americano, pan-americano... Vem outro e enche a boca para dizer. "(...) Pelo menos evolui em relação a Atenas-2004". Aí, você vai conferir a evolução e descobre que o cara terminou em 22º há quatro anos. E em 2008??? 21º! Tem atleta que se entrega ao deslumbre. "Dessa vez não deu, mas é ótimo estar aqui, participar desse evento belíssimo, respirar essa atmosfera olímpica". Cansei! Sinceramente. Não seria melhor enviar a Pequim a nata do esporte tupiniquim, abrir mão de alguns micos, investir dinheiro público para competir com qualidade nas modalidades em que realmente somos fortes? Não, não, isso não interessa. Precisamos de números, quantidade, gráficos sempre para o alto e avante. Em Londres-2012 vibrarão por atingir a marca de 300, 350 atletas no desfile de abertura. E no dia seguinte, metade do "povo" já estará de volta. É preciso desocupar a Vila Olímpica! Imaginem se conquistarmos o direito de receber os Jogos de 2016. "Nossa delegação dobrou em relação a 2008", dirá algum cartola. No primeiro dia de competições, o discurso continuará: "Pelo menos quebrei o recorde sul-americano". Não evoluímos nada!"

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